domingo, 29 de março de 2009

Organizar a juventude? Pra quê?

Por: Maria Tereza Costa de Castro.

O ser humano na faixa etária compreendida entre 15 e 29 anos é considerado jovem, segundo o Estado que rege a nossa Constituição.
O Conselho Nacional de Juventude considera adolescentes-jovens entre 15 e 17 anos, os jovens-jovens, entre 18 e 24 anos e os jovens-adultos, entre 25 e 29 anos. Por conta de alguns estudos foi desenvolvida uma idéia de que o homem, quando nesta fase, possui características de comportamento que se diferenciam dos demais e por isso, com base na lei 11. 129 que determina ser papel da Secretaria Nacional de Juventude, articular todos os programas e projetos destinados, em âmbito federal aos jovens, isso foi legitimado, sinais de um avanço, fruto de uma luta e herança das gerações anteriores.
Graças a esse legado, podemos considerar que o momento histórico em que vivemos é uma “fase de bem estar social”.
Na história do nosso país existem fatos que muitos desconhecem. Não por ignorância, mas por falta de oportunidade e/ ou por estarem restritos a coletar informações por fontes não seguras, ou que servem à política da classe dominante, sem nenhuma indagação. Essas fontes estão na escola, na internet, na televisão, no rádio, enfim, espalhadas onde nós “democraticamente” temos acesso.
A elite dominante sabe inteligentemente como nos atingir. Ela se camufla entre elementos do nosso cotidiano e consegue uma penetração ideológica, agindo diretamente no foco da sua opção, onde na maioria das vezes, nós nem nos damos conta. Tem na sua tática algo bem próximo de nós e violentamente nos utiliza como isca.
Isso está evidente nas propagandas da TV, nos programas exibidos em horário comercial e horário nobre e também nos discursos e idéias propagadas no boca a boca em forma e de clichês, como: “o jovem é acomodado” ou “ o jovem é futuro do país!” .
O que bem nós podemos e devemos fazer para combater esse tipo de “veneno” espalhado para contagiar nossas mentes é em primeira instância, identificar de que forma o “contágio” acontece. Identificar é analisar quem fala, de onde fala e o que se fala. É ficar atento sempre em qual a intenção de se falar isto ou aquilo, ou em que momento isto acontece.
A idéia de que “o jovem é acomodado”, se contrapõe à verdadeira essência da juventude, que é a rebeldia. O que existe são formas particulares de se comportar ou de reagir diante do que existe e do que incomoda. O fato de se tomar um posicionamento de omissão diante de alguns casos não é inércia, mas sim, um posicionamento próprio daquela fase da vida, que é a juventude.
A premissa “o jovem é futuro do país!”, vem carregada de subjetividade, se observarmos de onde esta se originou. Não foi um jovem que pronunciou pela primeira vez esta frase, de certo. Esta com certeza não fora criada por acaso, mas sim na tentativa de amortizar as nossas ações e provocar uma certa “acomodação”, na cruel intenção de nos desmobilizar. É própria da parcela conservadora da nossa sociedade, a classe dominante.
Quando falo de classe dominante, falo dos donos dos meios de produção, falo da galera que pouco se importa se os índices de analfabetismo no Estado da Bahia são os piores do Brasil, que não está nem aí pro filho do trabalhador que não consegue uma vaga na Universidade Pública, que incentiva a concorrência entre colegas da mesma classe nas séries iniciais da Educação Básica, que propaga em horário nobre que pra ser aceito e pra ser legal é preciso usar aquela roupa ou aquele tênis que está na moda e que nossos pais não podem comprar, que utiliza nossa imagem em propagandas de cigarros e cerveja, sendo que esta última é a responsável pela maioria dos acidentes de trânsito e pelas causas de morte de jovens no mundo inteiro , que coloca na novela das oito o branco como repressor e o negro como oprimido, sempre, que trata a livre orientação e opção sexual como algo condenado por Deus, que trata a fome e a miséria como algo que “faz parte” e que diz que é assim mesmo, que nada podemos fazer e você que se dane!
Contra tudo isso e a favor da soberania da juventude, é que todos os jovens, independente de sexo, cor, religião, naturalidade, opção sexual, deve ser protagonista da mudança radical destas e de muitas formas de pensar o mundo e a própria vida.
Somos milhões e se a união faz a força, a idéia é essa.
A juventude unida é uma só!

Nenhum comentário: